quarta-feira, 16 de abril de 2008

Vêm em bando com pés de veludo...

Parece ter começado na Inglaterra de Tony Blair a moda que diz "Se está nos meios de comunicação social, então, existe, é verdade!". Não sei se é? Ao contrário daqueles muitos que nunca se enganam e, raramente, têm dúvidas, eu tenho cada vez mais dúvidas. Quando um dos meus professores recentes afirma: "o político tem uma legitimidade indiscutível", e o afirma dogmaticamente, sem margem para "a dúvida razoável", sinto-me levado a perguntar:
- Que falta faz a filosofia? Sei que é uma pergunta retórica, porque o fechamento operacional operado pelo reduccionismo dogmático é a melhor prova com que se pode avançar, fundamentando a necessidade da filosofia, do raciocínio filosófico e dos bons serviços e efeitos que se colhem da prática filosófica e do seu magistério.
Parece-me paradoxal que em Portugal boa parte dos ataques e desejos de extermínio da "coisa filosófica" venham de indivíduos que ostentam no seu cartão de visita, por debaixo do nome, um pequeno aglomerado de caracteres, assim disposto: PhD.
Por suposto, este aglomerado de caracteres, parece corresponder a um grau académico: Doutor em Filosofia.
Pensando sobre "esta cuspidela no prato em que comem", tenho-me perguntado:
- Será que estes académicos são "marxistas de tendência grouxista"?
Se numa assembleia com tais doutores eu fizesse esta pergunta, não faltariam epípetos mimosos para a minha ousadia, antecipo alguns: ignorante, provocador - os mais eruditos -, outros vindos da torre da barbacã: burro, analfabeto, serraceno... e um outro tipo, imputável ao capitão Haddock, seu energúmeno, alimária, espécie de belzebú...

Considerando a excelência da formação de tais doutos, logo os meios de comunicação social poderiam informar o ex.mo público em revoada informativa. E, se assim, acontecesse, a verdade assumiria e essência da coisa dita pelos doutos excelentíssimos. Infelizmente, para eles os MCS andam muito ocupados com missões de maior valia e importância, entrevistam-se ministros, secretários de estado, ministros da presidência, administradores dos bancos: de portugal e outros, porque o pensamento destes "illuminati", destes "focolares" é a luz e o calor que, depois de publicados, hão-de iluminar e dar calor a todos os lares portugueses. Cumpre-se assim o desiderato einsteiniano: a energia dá origem à matéria.

É assim, que a nossa matéria cinzenta é surripiada por aqueles que do poder vêm com pés de veludo transformando a nossa energia investida no trabalho quotidiano na mais valia com se engordam os "eleitos da banca" : Illuminati ou brutti e cattivi.


sexta-feira, 11 de abril de 2008

Mentiras, ditas e retornadas não viram verdade

Aquela voz pífea, afeminada, irritante, que denuncia a derrapagem emocional na elocução do primeiro ministro, corresponde ao espectáculo burlesco do figurante político que não percebeu, e talvez, nunca venha a perceber que o seu desempenho caracterial é traído pelas suas cordas vocais. Este primeiro- ministro poderia ir até às margens do Lockness e ficar por lá uns anos - muitos, provavelmente, - na expectativa de interiorizar alguma da fleuma nacional. Depois, poderia voltar e submeter-se ao modelo de avaliação, made in Chile, da sua ministra da educação, que o quer made in Portugal, embora importado do deserto do Atacama. Vivendo uma vida mental importada: o modelo finlandês, espanhol, chileno, de que tanto gosta e que por acaso ou coincidência lhe saturam a imaginação; e, praticando uma política postiça feita de mais remendos do que os milhares que os pobres usam para fazer o saquinho do pão seu de cada dia, não admira que devido ao mecanismo de recalcamento freudiano a sua voz se ressinta... Não há números, nem estatísticas, nem prospecções que consigam negar aos ouvidos atentos de milhares de portugueses, a instabilidade quase "bipolar" que assalta a voz do primeiro ministro quando lhe tocam num ponto que o deixa "touché". Hoje foi transmita pela rádio uma parte da resposta à interpelação sobre a inocente e imaginária relação que há entre políticos, ex-governantes, os respectivos desempenhos e os cargos e mordomias que recolhem, a posteriori, e que só por acaso ou coincidência, têm qualquer relação com os cargos que desempenharam. Por acaso ou por coincidência são muitas as repostas que o primeiro-ministro dá em tom bipolar.
Portugal assume-se, cada vez mais, como um país onde o sucesso, o enriquecimento, ou empreendedorismo só ocorre por acaso, coincidência ou por obra do fado (é por vontade de Deus...). Repentinamente, lembrei-me: há quanto tempo por acaso, coincidência, ou excesso de trabalho o nosso primeiro não vai ao otorrinolaringologista? E enquanto não arranja uma nesga de tempo, por acaso ou por coincidência, para tratar disso, haja alguém da equipa governamental, quando a voz que anima o discurso furioso, incontinente.. que por acaso ou piedosa coincidência lhe segrede com voz de oráculo:
José, josé, porque no te callas?