Aquela voz pífea, afeminada, irritante, que denuncia a derrapagem emocional na elocução do primeiro ministro, corresponde ao espectáculo burlesco do figurante político que não percebeu, e talvez, nunca venha a perceber que o seu desempenho caracterial é traído pelas suas cordas vocais. Este primeiro- ministro poderia ir até às margens do Lockness e ficar por lá uns anos - muitos, provavelmente, - na expectativa de interiorizar alguma da fleuma nacional. Depois, poderia voltar e submeter-se ao modelo de avaliação, made in Chile, da sua ministra da educação, que o quer made in Portugal, embora importado do deserto do Atacama. Vivendo uma vida mental importada: o modelo finlandês, espanhol, chileno, de que tanto gosta e que por acaso ou coincidência lhe saturam a imaginação; e, praticando uma política postiça feita de mais remendos do que os milhares que os pobres usam para fazer o saquinho do pão seu de cada dia, não admira que devido ao mecanismo de recalcamento freudiano a sua voz se ressinta... Não há números, nem estatísticas, nem prospecções que consigam negar aos ouvidos atentos de milhares de portugueses, a instabilidade quase "bipolar" que assalta a voz do primeiro ministro quando lhe tocam num ponto que o deixa "touché". Hoje foi transmita pela rádio uma parte da resposta à interpelação sobre a inocente e imaginária relação que há entre políticos, ex-governantes, os respectivos desempenhos e os cargos e mordomias que recolhem, a posteriori, e que só por acaso ou coincidência, têm qualquer relação com os cargos que desempenharam. Por acaso ou por coincidência são muitas as repostas que o primeiro-ministro dá em tom bipolar.
Portugal assume-se, cada vez mais, como um país onde o sucesso, o enriquecimento, ou empreendedorismo só ocorre por acaso, coincidência ou por obra do fado (é por vontade de Deus...). Repentinamente, lembrei-me: há quanto tempo por acaso, coincidência, ou excesso de trabalho o nosso primeiro não vai ao otorrinolaringologista? E enquanto não arranja uma nesga de tempo, por acaso ou por coincidência, para tratar disso, haja alguém da equipa governamental, quando a voz que anima o discurso furioso, incontinente.. que por acaso ou piedosa coincidência lhe segrede com voz de oráculo:
José, josé, porque no te callas?
Portugal assume-se, cada vez mais, como um país onde o sucesso, o enriquecimento, ou empreendedorismo só ocorre por acaso, coincidência ou por obra do fado (é por vontade de Deus...). Repentinamente, lembrei-me: há quanto tempo por acaso, coincidência, ou excesso de trabalho o nosso primeiro não vai ao otorrinolaringologista? E enquanto não arranja uma nesga de tempo, por acaso ou por coincidência, para tratar disso, haja alguém da equipa governamental, quando a voz que anima o discurso furioso, incontinente.. que por acaso ou piedosa coincidência lhe segrede com voz de oráculo:
José, josé, porque no te callas?
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